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10 de out. de 2026
Professor André Medeiros destaca planejamento para combater o endividamento familiar
Coordenador do Grupo Denarius explica por que as renegociações não eliminam as dívidas e defende a educação financeira aliada à mudança de comportamento.
Por Conexão Itajubá
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O aumento das dívidas das famílias brasileiras e as dificuldades para sair da inadimplência foram os temas abordados pelo professor André Medeiros, coordenador do Grupo Denarius, ao analisar os desafios da educação financeira. O especialista destacou que, apesar do crescimento das oportunidades de renegociação, muitas pessoas continuam endividadas por não planejarem como quitar os débitos.
A análise integra o artigo Por que as dívidas continuam? O desafio financeiro das famílias brasileiras, publicado no site Conexão Itajubá. Segundo André Medeiros, a falta de planejamento financeiro, o consumo por impulso e a influência da publicidade contribuem para o endividamento excessivo, enquanto a ausência de mudanças de comportamento compromete os resultados das iniciativas de renegociação.
Renegociar não significa quitar a dívida
De acordo com o professor, muitas pessoas procuram renegociar seus débitos sem estabelecer um planejamento para cumprir os novos compromissos financeiros. Com isso, a dívida pode continuar comprometendo o orçamento por mais tempo, mesmo após a negociação de condições de pagamento.
André Medeiros ressaltou que programas governamentais, como o Desenrola Brasil 3.0, e os mutirões de renegociação podem oferecer oportunidades para quem enfrenta dificuldades financeiras. Entretanto, esses recursos não resolvem o problema quando não há organização do orçamento e definição de estratégias para pagar as parcelas.
O professor também destacou a importância de se preparar antes de negociar. A pessoa precisa avaliar sua situação financeira, reconhecer os limites do orçamento e entender quais sacrifícios serão necessários para cumprir os compromissos assumidos.
Consumo por impulso compromete o orçamento
Outro fator apontado por André Medeiros é a dificuldade de adequar os desejos de consumo à renda disponível. Segundo ele, a publicidade estimula continuamente novas compras, muitas vezes incentivando a aquisição de produtos e serviços que não são prioritários naquele momento.
O especialista relacionou esse comportamento à experiência brasileira com a inflação elevada antes da implantação do Plano Real, em 1994. Naquele período, a rápida mudança dos preços estimulava as pessoas a gastar o dinheiro disponível antes que ele perdesse ainda mais poder de compra. Para o professor, parte dessa cultura de consumo permanece presente, mesmo após décadas de maior estabilidade monetária.
Além disso, os juros elevados tornam mais caro antecipar o consumo por meio de empréstimos e financiamentos. Quando uma pessoa compra hoje algo que ainda não poderia pagar com os próprios recursos, assume o compromisso de devolver o valor emprestado acrescido de juros, o que reduz sua capacidade financeira futura.
Orçamento e mudança de comportamento
Como caminho para melhorar a saúde financeira, André Medeiros defendeu a elaboração de um orçamento mensal que permita identificar despesas essenciais, separar prioridades de gastos supérfluos e reservar dinheiro para necessidades futuras.
O professor explicou que organizar as finanças não significa deixar de consumir tudo o que não é indispensável, mas adequar cada compra ao momento em que ela pode ser realizada sem comprometer o orçamento. Também recomendou manter a reserva financeira em uma conta de acesso menos imediato, como forma de reduzir a tentação de utilizar o dinheiro em despesas não prioritárias.
Para André Medeiros, a educação financeira precisa alcançar especialmente as pessoas em situação de maior vulnerabilidade, que podem ser mais afetadas pela pressão do consumo. Entretanto, transmitir informações não é suficiente: é necessário transformar o conhecimento em hábitos concretos.
O coordenador do Grupo Denarius comparou o cuidado com as finanças à orientação nutricional. Assim como receber recomendações de um profissional não garante resultados sem mudanças na alimentação, conhecer as regras de organização financeira não resolve os problemas quando as orientações não são colocadas em prática.
A conclusão do professor é que a superação do endividamento depende da combinação entre planejamento, controle dos gastos e mudança de comportamento. Sem esses elementos, mesmo as melhores oportunidades de renegociação podem apenas prolongar o problema.
Leia o artigo do Grupo Denarius: POR QUE AS DÍVIDAS CONTINUAM? O DESAFIO FINANCEIRO DAS FAMÍLIAS BRASILEIRAS
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