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8 de ago. de 2026
Estresse financeiro reduz produtividade e afeta capacidade de decisão
Endividamento e inadimplência podem comprometer o desempenho profissional e a capacidade cognitiva; professor Moisés Vassallo destaca a importância da reserva de emergência.
Por Conexão Itajubá
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O estresse financeiro, provocado por preocupações relacionadas às finanças pessoais, familiares ou empresariais, pode afetar a produtividade e a capacidade de tomada de decisões. O tema é abordado pelo professor Moisés Vassallo, coordenador do Grupo Denarius, a partir de estudos que relacionam dificuldades financeiras ao desempenho dos trabalhadores.
Segundo Vassallo, o problema ocorre principalmente quando o endividamento se transforma em inadimplência, situação em que a pessoa não consegue cumprir os pagamentos de suas dívidas. Estudos econométricos citados pelo professor mostram que trabalhadores sob estresse financeiro podem perder de três a cinco horas de trabalho por semana preocupados com dívidas ou tentando encontrar formas de solucioná-las. A consequência pode ser a redução da produtividade e o aumento de erros.
Estresse financeiro interfere no desempenho
O professor explica que o endividamento, por si só, não significa necessariamente que uma pessoa esteja sob estresse financeiro. Uma pessoa que utiliza cartão de crédito, por exemplo, possui uma dívida a pagar, mas isso faz parte de seu planejamento financeiro quando os pagamentos são realizados normalmente. A situação se agrava quando as parcelas deixam de ser pagas.
Além da produtividade, os estudos mencionados por Vassallo apontam impactos temporários sobre o desempenho cognitivo. Em testes de QI realizados durante períodos de estresse financeiro, os resultados podem ser, em média, 13 pontos inferiores. O professor ressalta que isso não significa perda permanente de inteligência, mas uma redução temporária da capacidade cognitiva diante da preocupação financeira.
O cenário pode formar um ciclo negativo. Com dificuldade para pensar e tomar decisões, a pessoa pode cometer erros no trabalho e adotar escolhas financeiras inadequadas, agravando ainda mais suas dívidas. O estresse também pode repercutir nas relações familiares e profissionais.
Renegociação pode ajudar, mas não garante solução
Programas de renegociação de dívidas, como o Descomplica e o Desenrola, são apontados como oportunidades para quem busca reorganizar as finanças. Segundo Vassallo, essas iniciativas podem permitir a redução de taxas de juros ou a renegociação de débitos em atraso, tornando as parcelas mais viáveis.
O professor alerta, porém, que a renegociação não garante resultados para todos. Algumas pessoas podem conseguir reorganizar suas dívidas, enquanto outras podem sair frustradas do processo.
Reserva de emergência como proteção
Como forma de prevenção ao estresse financeiro, Vassallo recomenda a criação de uma reserva de emergência, que também chama de “reserva de tranquilidade”. A proposta é guardar recursos para situações inesperadas e evitar que uma dificuldade financeira se transforme em uma sequência de decisões tomadas sob pressão.
O professor também orienta atenção ao uso de rendas extras. Dinheiro recebido fora do fluxo normal de renda costuma ser utilizado rapidamente para compras e recompensas. Para Vassallo, parte desse recurso pode ser destinada à reserva financeira, garantindo maior tranquilidade diante de imprevistos.
As empresas também começam a perceber os efeitos do endividamento sobre o desempenho dos funcionários. De acordo com o professor, algumas organizações passaram a investir em educação financeira para trabalhadores que enfrentam dificuldades com dívidas e apresentam queda de produtividade.
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