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27 de mar. de 2013
Tem mais uma quaresmeira em Itajubá...
No dia 15 de março, na Faculdade de Medicina de Itajubá, plantamos uma quaresmeira e cobrimos as suas raízes com as cinzas do Marco... A quaresmeira sempre me pareceu a árvore da saudade. Era
Por Dra. Graça Mota Figueiredo
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A quaresmeira sempre me pareceu a árvore da saudade.
Era isso que ele queria: ficar em Itajubá prá sempre, cidade que ele muitas vezes chamou de "cidade natal", desde que chegamos.
A cidade e a Faculdade, ele disse muitas vezes, foram os lugares no mundo em que ele foi mais feliz; quem convivia com ele (e era a cidade toda, convenhamos) sabe que ele repetia à exaustão, como se quisesse garantir que ninguém mudaria os seus desejos: "Quero morrer aqui e ser cremado em São José - já que ainda não temos Crematório em Itajubá - porque quero viver aqui para sempre!"
E assim se fez, com amor e respeito pelo Grande Homem que ele foi!
Pessoas como ele são raras.
Ele tinha a simplicidade das crianças, às vezes até mesmo a ingenuidade linda delas...
Tinha a doçura de uma mulher olhando um filho dormir...
Tinha a força de um lutador de boxe quando investia contra a medicina desumana que às vezes se vê por aí...
Tinha a rapidez de um jovem quando mais um doente pedia a sua ajuda...
Tinha o amor doce e meigo de um avô quando consolava uma família em luto...
Mas podia ter também a fúria de um leão quando recebia um doente mal cuidado pelos seus médicos ou mesmo pela família...
E ele se foi como sempre quis, e como merecia: logo depois de ter sido aplaudido de pé por uma enorme plateia em São Paulo, cercado de pessoas queridas, voltou logo prá casa onde recebeu todo o cuidado e todo amor que ele distribuía generosamente aos outros, ficou ainda conosco pelo tempo necessário das despedidas, reconheceu algumas vezes as pessoas queridas, me fez muitas vezes carinho no rosto ou enlaçou a minha mão na sua, me olhou muitas vezes do fundo dos seus olhos sem luz...
E quando morreu, seu último ato de generosidade: esperou que eu cochilasse por 10 min na cadeira ao seu lado e parou de respirar meigamente...
Ele era, mesmo, um Grande Homem!
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