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22 de mar. de 2014
Os Nem-Nem
Li um artigo do jurista Luiz Flávio Gomes sobre a ?Geração Nem-Nem?, os jovens brasileiros que não trabalham nem estudam. E, coincidentemente, no mesmo dia, fiquei surpresa ao me deparar com
Por Misa Ferreira
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Segundo Luiz Flávio, essa situação de quase dez milhões de jovens brasileiros desocupados quase sempre provém das desigualdades geradas pelo nosso capitalismo selvagem e pode acabar numa explosão de violência coletiva sem precedentes. O jurista aponta para o fato de que uma boa parcela desses jovens ainda conta com uma estrutura familiar (grupo Nem-Nem acolchoado). Os demais não têm família, isto é, não contam com uma estrutura familiar sólida, vieram de lares onde a miséria os empurrou para as ruas. Também não contam com o amparo social e é aí que mora o perigo, pois constituem uma verdadeira bomba-relógio. Os jovens têm se manifestado de todas as formas, e urge que sejam ouvidos. É verdade, se não estudam e não trabalham, acabam por se juntar com as más companhias, experimentando drogas, mais tarde roubando e traficando. A única coisa que esses jovens sem amparo têm pela frente em seu futuro triste e sombrio é apenas um convite ao crime organizado.
Interessante é que a inglesa Noreena usa a mesma expressão "bomba-relógio" ao se referir ao desemprego juvenil na Europa, pois a permanência por muitos anos fora do mercado de trabalho compromete o futuro desses jovens, levando-os às ruas. Para ela, era esperado que a crise global pudesse resultar em mais igualdade no mundo, mas o que ocorreu após a crise foi justamente o contrário, o mundo ficou mais desigual. Países como a Grécia, Espanha e Itália têm mais de 50% da população abaixo de 25 anos desempregada, mas de forma geral a velha Europa está toda fragilizada. São esperadas muitas manifestações nas ruas, por certo elas virão cada vez mais fortes.
Mas felizmente e finalmente, assegura Noreena, os governos europeus têm esboçado estratégias pós-crise para acelerar o crescimento. Não adianta pensar só em si, diz ela que "todos nos saímos melhor se todos se saírem melhor".
Bem, e nós no Brasil? O que isso nos diz respeito? Não tem nada a ver conosco? Nosso governo também se preocupa com os "Nem-Nem"?O jurista Luiz Flávio diz que mesmo sabendo de tudo isso, "nossa indiferença hermética não se altera um milímetro". A saída para os jovens excluídos poderia estar na educação de qualidade para todos, manter esses jovens dentro de uma escola que ensine a ética, o respeito e que prepare as gerações para um futuro digno que lhes têm sido roubado. Do contrário, que todos se preparem para a grande explosão, a bomba-relógio está ativada já há algum tempo. Só não sabemos quando exatamente ela vai explodir e só não vê quem não quer.
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