•
10 de abr. de 2018
Não se trata de política, mas sim de psicopatologia...
Nos últimos tempos o Brasil parou. Como se pudéssemos nos dar ao luxo de parar, na iminência que estamos de uma crise econômica sem precedentes na história... Nos dois últimos dias, então, ch
Por Dra. Graça Mota Figueiredo
Compartilhar

Nos dois últimos dias, então, cheguei a temer que tudo se fechasse no país, como se o nosso destino fosse decidido pela solução do impasse que transtornou emocionalmente o país.
Estamos vivendo uma era preocupante de irracionalidade, ou seja, de posições políticas apoiadas fortemente em humores emocionais, e não na escolha criteriosa de argumentos, e na análise racional de propostas.
De parte a parte, aliás. Não há como um grupo condenar o outro por sectarismo! Todos estamos (e esse é um ano eleitoral) à mercê das emoções de "Adoro" ou "Odeio".
Isso é preocupante!
É desse material psíquico coletivo que se fazem as guerras e as revoluções ou que se fez o nazismo.
São governantes que, talvez de início convictos dos valores que dizem defender, sucumbem à tremenda força do poder.
Mas a partir daí, pouco importa o que os passa a mover: uma ideologia, o enriquecimento pessoal, a manutenção do mando a longo prazo, pouco importa.
Importa é que o indivíduo passa a se ver como Salvador, como Guru, como Representante Ungido de desfavorecidos pela sorte ou pelo sistema. Como tal, sente-se por direito acima da lei e constrói uma verdade própria que beira a alucinação. Não há mais respeito nem consideração por provas nem por evidências ou denúncias que não correspondam à "verdade" eleita pela alucinação.
Estamos, então, à frente de uma psicopatologia com alto potencial de contaminação psíquica coletiva: pessoas até agora razoáveis nos seus valores passam a permitir internamente que tudo se perdoe porque algumas boas coisas foram feitas, lembrando o antigo "rouba mas faz" de triste memória...
Quando alguém se autodeclara uma lenda, uma ideia, abrindo mão espontaneamente da condição de ser humano, estamos em perigo enquanto sanidade mental coletiva.
E temos exemplos terríveis do que acontece quando um líder se autodeclara sobre-humano.
A pergunta que se impõe agora, nos tempos que virão, não pode deixar de ser: "Conseguirá a sociedade brasileira recuperar o equilíbrio psíquico e retomar a construção de um país ético, a quem a corrupção de direita ou de esquerda se torne para sempre inadmissível, e para quem a justiça social seja a meta de todos?"
Compartilhar
Gostou do conteúdo?
Participe dos nossos grupos e receba notícias, eventos e ofertas exclusivas direto no seu WhatsApp
Anuncie aqui
Divulgue seu negócio no Conexão Itajubá
Guia Comercial
Ver todos →Participe dos Nossos Grupos
Receba conteúdo exclusivo e fique por dentro de tudo que acontece em Itajubá