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18 de abr. de 2026
ENVELHECER : o que é que se pode fazer?
Aprenda a deixar ir a juventude e abraçar a velhice com bom humor e moderação.
Por Misa Ferreira
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Foto: Misa Ferreira
Lendo o texto que uma amiga postou no Face sobre “não querer ser jovem novamente”, ponderei o seguinte: mas antes, falando mais sobre o texto, o autor cita uma fala de Freud: “a morte é o alvo de tudo o que vive”. Ou seja, quer queiramos ou não, (na verdade não queremos) vamos envelhecer, estamos envelhecendo ou já envelhecemos, e não há nada, absolutamente nada que possamos fazer a respeito. Tudo nessa vida envelhece, degenera-se, decompõe-se, e nós também. E depois da velhice, se não morrermos antes disso, morreremos como todas as pessoas, como todo ser vivo, sem exceção.
O autor do texto nos aconselha a não querer ser jovem novamente, a abrir mão da beleza exuberante, do frescor da pele jovem, da firmeza dos músculos, da barriguinha de tanquinho, da memória infalível (e temos opção?). Le it go. Isso também inclui não exagerar nas roupas que só caem bem nos jovens ou nas jovens. Até já li uma frase de alguma entendida em etiqueta que agora me falha o nome, que diz que nada envelhece mais do que querer parecer jovem para sempre. É verdade. Portanto, é um alívio poder relaxar e deixar acontecer, acolher a velhice com aceitação e bom humor, pois sem o senso de humor a vida fica difícil até para os jovens.
Há uma luta natural que nos impele a não aceitar a velhice, mas logo nos damos conta de que não há como deter a lei natural da vida. Muitas plásticas, procedimentos cirúrgicos, ou mesmo umazinha que seja (eu confesso humildemente que já fiz uma há séculos atrás) trará uma alegria momentânea e a ilusão passageira de ter bebido da fonte da juventude eterna e de ter o viço de volta às nossas faces e corpos, mas a velhice logo reclama e aflora aqui e ali mostrando que sua hora já chegou e lá vem com as suas damas de companhia, as rugas, os pés-de-galinha, bigodes chineses e outros mais. É uma tortura lutar contra isso. Agora só me cuido, mas procedimentos cirúrgicos? Nã nã nim nã não.
É relaxar, é desapegar-se da imagem de jovem que não voltará. É verdade, ter equilíbrio para roupas, ter cuidado com maquiagem exagerada. Nada mais triste do que uma velha fantasiada de moça. Nada mais triste do que uma velha querendo viver paixões e prazeres desenfreados. Isto não quer dizer que o amor e o relacionamento entre pessoas mais velhas sejam ridículos, não, O AMOR NUNCA SERÁ RIDÍCULO, o companheirismo nunca será ridículo, o sexo nunca será ridículo, a menos que nós os façamos assim.
A despeito de tudo isso, não se pode negar que convivem dentro de nós, a criança, o jovem ou a jovem que já fomos. Sim, somos a mesma pessoa com uma história construída, com lembranças e emoções. Mas essa fase já passou. A menina e a jovem que fui são bem acolhidas em meu interior porque sem elas eu não seria o que sou agora, mas é preciso cuidado para não deixá-las me dominar, cuidado ao querer parecer uma menina ou uma jovem quando já não o sou. Ser velha, tirando as limitações físicas, não é ruim. Meu conselho, embora ninguém tenha pedido, mas dou assim mesmo, é sorrir e rir muito. Os pés-de-galinha ficam mais acentuados, mas rir faz bem à alma, e esta, bem, esta viverá para sempre e cabe a nós fazê-la bonita. Não deixe morrer a menina que está dentro de você, mas não se vista como ela e nem queira ter a sua carinha. Já passou. Não dá mais.
E mais uma coisa: cuidado com o que você vê no espelho: sabe aquele transtorno de anorexia que faz as jovens magérrimas se enxergarem ainda gordas? Pois existe um transtorno muito curioso que pode ocorrer na velhice e é assim: podemos olhar no espelho, e de repente nos enxergarmos como gostaríamos, belas e jovens! Aí é o desastre total porque vamos atrás de roupas e decotes que já não são para nós, mostrando pelancas flácidas (ai que horror!), e maquiagem exagerada, pois já vi muito batom vazando pelo código de barras, isto mesmo, batom escorrendo pelos sulcos acima dos lábios envelhecidos e cheios de rugas! (como estou terrível hoje)!
Então, gente, é o seguinte: a culpa não é do espelho, coitado! A culpa é nossa. O pior cego é aquele que não quer ver. Moderação, mais moderação ...
E finalmente: LET IT GO! LET IT GO!
Misa Ferreira é autora dos livros: Demência: o resgate da ternura, Santas Mentiras, Dois anjos e uma menina, Estranho espelho e outros contos, Asas por um dia, Na casa de minha avó e Ópera da Galinhinha: Mariquinha quer cantar. Graduada em Letras e pós graduada em Literatura. Premiada várias vezes em seus contos e crônicas. Embaixadora da Esperança (Ambassadors of Hope) com sede em Calcutá na Índia. A única escritora/embaixadora do Brasil a integrar o Projeto Wallowbooks. Desde 2009 Misa é articulista do Conexão Itajubá, enviando crônicas e poemas. Também contribui para o jornal “O Centenário” de Pedralva.
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