•
31 de dez. de 2009
ANO NOVO, VOTOS E PROMESSAS
No ano que vem Ah! ... Eu vou ser feliz Do jeito que eu sempre quis... E mais um ano se vai e mais um ano que vem. Como todos os anos, já refeitos do sentimentalismo natalino, vamos nos vesti
Por Misa Ferreira
Compartilhar

No ano que vem
Ah! ... Eu vou ser feliz
Do jeito que eu sempre quis...
E mais um ano se vai e mais um ano que vem. Como todos os anos, já refeitos do sentimentalismo natalino, vamos nos vestir de branco, erguer taças de champanha, trocar votos de felicidades, estabelecer novas metas e abrigar no coração a esperança para tempos melhores. Faz-se um breve intervalo de euforia que culmina com o baile de réveillon onde dançamos, comemos e bebemos, como se a vida fosse uma eterna festa! E que seja pelo menos no último dia do ano! No dia seguinte, um desconfortável silêncio se instaura como um prenúncio de realidade com gosto de depressão e ressaca. A correria de fim de ano vem ao encontro da aceleração planetária, expressão já na moda que traduz essa ansiedade generalizada que oprime de tal forma as pessoas que não dá a elas a chance de refletir sobre a vida, antes, obriga-as a vivê-la impetuosamente, passando a falsa impressão de que o dia de amanhã tem que ser vivido hoje, pois o hoje não foi vivido a contento, aliás, o mais apropriado seria falar em insatisfação planetária acelerada. Afinal, donde vem tanta insatisfação, essa sensação amarga de falta, de ausência?
Será que esse sentimento de incompletude apareceu depois que o homem, que bem o diga Freud, passada a arrogância de seu narcisismo, deparou-se com a fragilidade de sua, até então, indiscutível e pretensa onipotência? Primeiro, descobriu que a Terra não era o centro do Universo, depois que sua natureza não era assim tão diferente da dos animais e por fim, que ele não era o senhor de sua própria casa, ou seja, havia uma grande parte da sua mente que ele não conhecia e não podia controlar. Solapadas, assim, as bases humanas, restou ao homem viver imprecisamente, como já dizia Fernando Pessoa, navegar é preciso, viver não é preciso. Numa tentativa obstinada de controle, o homem sempre retoma e retorna ao leme, nutrindo-se de uma teimosa ilusão de que ele é quem manda e conduz. Doce ilusão, ledo engano! O rio corre mesmo é sozinho. Mas o homem é assim desse jeito, é da essência humana achar que pode tudo.
Mas, enfim, como ser feliz nessa imprecisão e ausência de garantias? Como aquietar as ruidosas e dramáticas emoções se elas nos lembram continuamente de que caminhamos, assim como o equilibrista, num tênue fio a milhares de metros do chão? Felicidade não tem fórmula nem receita, cada um que descubra a sua. Há quem dê dicas preciosas como Guimarães Rosa que diz que, felicidade só em raros momentos de distração. Vamos vivendo, esbarrando na felicidade aqui e ali, mas ela se esquiva, não se dá por inteira, até parece querer nos dizer que ela só é plena quando nos esquecemos de persegui-la. Mas é Ano Novo, então, vamos parar de fumar, recomeçar aquela dieta, frequentar um novo curso, sobretudo vamos amar um pouco mais as pessoas, a nós mesmos, os animais, a natureza, a cidade em que vivemos, o nosso país, o nosso planeta ferido e carente de amor.
E para terminar, lembre-se, somos apaixonáveis, somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes, afinal de contas, nós somos o "Amor" (Carlos Drummond de Andrade).
Compartilhar
Gostou do conteúdo?
Participe dos nossos grupos e receba notícias, eventos e ofertas exclusivas direto no seu WhatsApp
Anuncie aqui
Divulgue seu negócio no Conexão Itajubá
Guia Comercial
Ver todos →Participe dos Nossos Grupos
Receba conteúdo exclusivo e fique por dentro de tudo que acontece em Itajubá