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O Útil e o Fútil (Parte I)

04/05/2019

Por Ricardo Leme

A distância tênue que separa o útil do fútil é o sutil. É comum que o útil para um seja fútil para outro, motivo pelo qual vale o dito: falar é prata, calar é ouro. O fútil é normal e o útil natural. Normal, na estatística de Gauss é o que a maioria faz; natural é território movediço habitado pelos que estão vivos. Tudo o que é normal incomoda pouco, já o natural tira da zona de conforto.

(Fragmento do livro: Saúde é Consciência – Editora Ciranda Cultural (Principis))

 

Aparência e essência,

Parecido e esquecido.

Como é longo esse caminho,

Vôo vivo no mar do emprestado,

Mergulho no céu iluminado

Luz que aterrissa no amor Crucificado.

 

Criar espaço interior é passo fundamental para dar significado à vida e viver com saúde. Sem este espaço, uma pessoa não consegue receber em si novas idéias assim como não consegue vivenciar o sentimento do próximo e ser capaz de corresponder de forma adequada. É neste espaço vazio, receptivo e disponível que as coisas podem ser e onde o novo pode acontecer. As experiências de “morte” servem o propósito de criar espaços quando já não há lugar para o novo. Um correlato menos mórbido, a experiência do “deserto” também auxilia na criação bem como na limpeza dos espaços internos mal ocupados, conforme o Tao Te King de Lao Tsé lembra no aforismo 11:

“Trinta raios convergentes unidos ao centro formam uma roda, mas é o vazio central que move o carro. O vaso é feito de argila, mas é o vazio que o torna útil. Abrem-se portas e janelas nas paredes de uma casa, mas é o vazio que a torna habitável. O Ser produz o útil, mas é o Não-ser que o torna eficaz.”

 

É o vazio do copo, da bolsa e do bolso que reflete a utilidade. Para algo ser preenchido, precisa estar vazio! Velho e antigo são de naturezas muito diferentes e quase sempre opostas, e se o antigo é vivo e eterno deve ser porque não se esquece pelo que veio.

"Entre o sono e sonho,

Entre mim e o que em mim

É o quem eu me suponho

Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,

Diversas mais além,

Naquelas várias viagens

Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito

A casa que hoje sou.

Passa, se eu me medito;

Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre

No que me liga a mim

Dorme onde o rio corre

-Esse rio sem fim."

Fernando Pessoa

Você está acordado em sono ou em sonho?

Ricardo Leme

Neurocirurgião formado pelo HCFMUSP, doutor em Ciências pelo ICBUSP, Fellowship no Miami Project to Cure Paralysis, graduando em Física pela USP e graduando em Medicina Antroposófica pela ABMA.  Escreve a coluna "Saúde é Consciência".


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