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Pegadas na Areia

20/03/2019

Por Prof. Paulo R. Labegalini

Publicado este mês pelas Editoras Appris/Prismas, eis um texto do início de meu novo livro:

Certa tarde, quando eu tinha cerca de 13 anos, fui nadar com os amigos no chamado ‘Tanque do Assunto’ em Monte Sião. Lá, havia um cipó que nos permitia transpor a parte funda do rio. E como eu não sabia nadar, só soltava o cipó quando tinha certeza que cairia no raso.

Porém, numa das vezes em que me pendurei, minhas mãos escorregaram e fui parar no fundo! Graças a Deus, o Paulo Pintado percebeu que eu estava afogando, pulou n´água e me salvou. Depois, ainda me xingou e ficou furioso, porque eu o agarrei com tanta força pelo pescoço que quase morremos juntos.

A partir daquele dia – acho que para se vingar –, o Paulo começou a contar histórias de terror quando nos reuníamos à noite na praça da cidade. Acredito que alguém lhe tenha dito que eu tinha medo de assombração. E o danadinho era bom naquilo; tanto era que eu passava horas sem dormir à noite – ‘curtindo’ o medo!

Comecei a sair de perto quando as histórias começavam, o que não adiantou muito, porque ele já iniciava focando que, antigamente, na casa onde eu passava as férias, ouviam-se correntes arrastadas na madrugada e gritos de todo tipo. Nossa, aquilo era terrível para a minha imaginação!

Hoje, curado do medo, ainda penso o que leva uma pessoa ter prazer em praticar o mal. Sei que éramos crianças e o exemplo que citei pode não ser o melhor, mas, independentemente disso, há milhares de pessoas no mundo que não se importam com suas imagens aos que os cercam. Essas mesmas pessoas já praticaram o bem, mas também se alegram em fazer o mal!

E tristeza nunca dá bons frutos. Tanto é verdade que, também eu, quando morava em república e cursava engenharia, fiz uma maldade com um colega. Era seu aniversário e, por ele ser órfão, não teria festa em família; porém, para nossa surpresa, sua namorada trouxe um delicioso pudim para comemorarmos à noite. Ele ficou feliz da vida e nos prometeu repartir quando voltasse do treino de vôlei.

Ao retornar, por volta de 23 horas, nós quatro da república fingíamos dormir no quarto. Ele foi direto na geladeira e viu que só havia um prato com a calda do pudim! Rindo baixinho, nós ouvíamos o Zé Maria chorando e dizendo: ‘Que sacanagem! Não me deixaram nem um pedaço! Não acredito!’ E repetindo isso, ficou um bom tempo se lamentando na sala.

Quando acendeu a luz do quarto para dormir, nós o aguardávamos com o pudim nas mãos e cantamos parabéns. Ele não sabia se sorria ou se chorava, porque ficou triste por um bom tempo e comentava que a brincadeira foi de muito mal gosto.

‘Mal gosto’ também eu disse a um outro colega, Waldir, durante uma missa na época de adolescência. Aconteceu que, durante o ofertório, a cesta da coleta chegou ao banco em que estávamos e ele começou a procurar dinheiro nos bolsos. Ficou um bom tempo colocando a mão nos bolsos da frente da calça, nos bolsos de trás, procurou na jaqueta, voltou a conferir na calça... e a pessoa com a cesta esperando!

De repente, ele tirou um lenço e, sorrindo, enxugou o nariz. Eu fiquei morrendo de vergonha e balancei a cabeça, desaprovando a brincadeira de mal gosto do colega. Depois da missa, o Waldir repetia com ar de gozação: ‘Eu não disse que estava procurando dinheiro. Ela ficou esperando porque quis!’

E a última história pitoresca que lembro para contar – evidenciando algum tipo de maldade – ocorreu num feriado, na volta de Itajubá para Monte Sião. Meu primo, Toninho, dirigia o carro à noite na minha companhia e de mais três colegas.

Assim que cochilei, o Toninho combinou com os demais simularem um acidente. Então, num lugar seguro, apagou os faróis, saiu da estrada e, freando bruscamente, todos gritaram juntos. Eu acordei no banco de trás, percebi colegas meio caídos em cima de mim e, naquele silêncio, fiquei apavorado! Não sabia o que fazer e tentei sair a qualquer custo, mas as portas estravam travadas. Quando ‘acordaram’, se divertiram às minhas custas.

Pois é, nem toda brincadeira termina bem e, algumas, traumatizam e criam inimizades para sempre. Portanto, faça o bem, porque fazer o bem não faz mal a ninguém.

Paulo Roberto Labegalini

Prof. Dr. Paulo Roberto Labegalini é engenheiro graduado pela Faculdade de Engenharia Civil de Itajubá, especializado em Matemática Superior pela Faculdade de Filosofia e Letras de Itajubá, mestre em Ciências pela Escola Federal de Engenharia de Itajubá e doutor em Qualidade pela Escola Politécnica da USP.

É autor de 7 livros e mais de 100 artigos publicados nas áreas de gerência geral, qualidade e educação; professor do Instituto Federal Sul de Minas em Pouso Alegre; e vicentino na Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração em Itajubá. Confira sua coluna "Mensagens para o Coração".


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