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O que fiz para merecer isso?

08/03/2019

Por Prof. Paulo R. Labegalini

Infelizmente, é comum ver pessoas revoltadas com Deus, dizendo que nunca fizeram mal a ninguém e não aguentam mais tanto sofrimento! Para piorar as coisas, há quem deixa de ir à Igreja e até muda de religião, como se isso resolvesse todos os problemas.

Muita gente já me questionou e eu tenho tentado responder à pergunta usada como título deste artigo, mas, quando sinto a fé do próximo abalada, qualquer tipo de explicação naquele momento é inútil. E como já passei por sérios problemas na vida, sei que tudo pode ser mudado com paciência, oração e confiança na providência Divina.

Sempre que me pedem ajuda, prometo rezar e digo que Deus não manda castigo pra ninguém, mas, ao contrário, evita desgraças maiores e abençoa os filhos que trilham bons caminhos. Considero inteligente e equilibrado quem consegue aceitar com realismo os fatos irreversíveis e ainda procura superá-los com fé no coração – como fez Nossa Senhora ao pé da Cruz.

Portanto, é preciso saber separar as ‘coisas do mundo’ das ‘coisas de Deus’, senão, é impossível entender as provações que passamos nesta vida. E, para exemplificar como podemos crescer espiritualmente para melhor enfrentar o mundo, vou contar uma história.

Era uma vez um rei que tinha quatro rainhas. Ele amava a quarta esposa demais e vivia dando-lhe lindos presentes. Ele também amava muito sua terceira esposa e gostava de exibi-la nos reinados vizinhos, contudo, tinha medo que um dia ela o deixasse por outro rei.

E também amava sua segunda esposa. Ela era sua confidente e estava sempre pronta para ele – com amabilidade e paciência. Sempre que o rei tinha que enfrentar um problema, ele confiava nela para atravessar tempos difíceis.

A primeira esposa era uma parceira muito leal e fazia tudo o que estava ao seu alcance para manter o rei poderoso, mas ele não a amava. Apesar de o amar profundamente, ele mal tomava conhecimento dela.

Um dia, o rei adoeceu e percebeu que seu fim estava próximo. Foi quando pensou em toda a luxúria de sua vida e ponderou: ‘É, agora eu tenho quatro esposas comigo, mas quando morrer, ficarei sozinho!’ Então, falou à quarta esposa: ‘Querida, te cobri das mais finas roupas e joias, mostrei o quanto eu te amava cuidando bem de você. Agora que estou morrendo, você é capaz de morrer comigo para não me deixar partir sozinho?’

‘De jeito nenhum!’ – respondeu ela, saindo do quarto sem sequer olhar para trás. A resposta cortou o coração do rei. Tristemente, ele então perguntou à terceira esposa: ‘Eu também te amei tanto a vida inteira, você é capaz de morrer comigo?’

‘Claro que não, a vida é boa demais! Quando você morrer, eu vou casar de novo.’ – respondeu ela.  O coração do monarca sangrou de tanta dor; e ele falou à segunda esposa: ‘Eu sempre lhe ouvi quando precisei de ajuda e você sempre esteve ao meu lado. Você será capaz de morrer comigo para me fazer companhia?’

‘Sinto muito, mas, desta vez, não posso fazer o que me pede.’ – respondeu aquela esposa. E completou: ‘O máximo que eu farei será enterrá-lo.’ Esta resposta veio como um trovão na cabeça do rei, que ficou arrasado.

Daí, uma voz se fez ouvir: ‘Eu partirei com você e o seguirei por onde você for.’ O rei levantou os olhos e lá estava a sua primeira esposa: magrinha e muito sofrida! Com o coração partido, o marido disse-lhe: ‘Eu deveria ter cuidado melhor de você enquanto ainda podia...’ Em seguida, morreu.

Na verdade, todos nós temos quatro ‘esposas’ na vida. A quarta esposa é o nosso corpo. Apesar de todos os esforços que fazemos para mantê-lo saudável e bonito, ele nos deixará quando morrermos. Nossa terceira esposa é a riqueza. Gostamos de exibi-la, mas, quando morremos, tudo vai para os outros. A segunda esposa é a nossa família. Apesar de nos amar muito e estar sempre nos apoiando, na morte, o máximo que cada parente pode fazer é rezar e nos enterrar.

E nossa primeira esposa? É a nossa alma! Muitas vezes a deixamos de lado por perseguirmos os prazeres do mundo e, apesar disso, ela é a única que irá conosco – não importa para onde formos.

Lembre-se disso e se liberte um pouco mais da vaidade, do dinheiro e da vida fechada em família. Consiga mais tempo para a Confissão, a Eucaristia e a Partilha. Procure enxergar os chamados que recebe diariamente para servir Jesus Cristo e Ele não descuidará de sua alma. Fortaleça o quanto antes a alma, pois livre de pecados, será esse o maior presente que você poderá dar a si mesmo. Deixe que a alma brilhe aos olhos de Deus e, mesmo na eternidade, você nunca se arrependerá.

Paulo Roberto Labegalini

Prof. Dr. Paulo Roberto Labegalini é engenheiro graduado pela Faculdade de Engenharia Civil de Itajubá, especializado em Matemática Superior pela Faculdade de Filosofia e Letras de Itajubá, mestre em Ciências pela Escola Federal de Engenharia de Itajubá e doutor em Qualidade pela Escola Politécnica da USP.

É autor de 7 livros e mais de 100 artigos publicados nas áreas de gerência geral, qualidade e educação; professor do Instituto Federal Sul de Minas em Pouso Alegre; e vicentino na Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração em Itajubá. Confira sua coluna "Mensagens para o Coração".


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