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O cão e o coelho

09/09/2018

Por Prof. Paulo R. Labegalini

Eram dois vizinhos. O primeiro comprou um coelho para os filhos e, assim que o viram, as crianças do outro vizinho também pediram um bicho ao pai. O homem, então, comprou um pastor alemão, e começou a rolar o seguinte papo entre os vizinhos:

-         Ele vai comer o meu coelho!

-         De jeito nenhum, imagina! O meu pastor é filhote. Vão crescer juntos e pegar amizade. Eu entendo de bicho, não há problema.

De fato, cresceram juntos e brincavam sempre. Tudo gerava felicidade para os filhos dos vizinhos até que o dono do coelho foi passar um final de semana com a família na praia, deixando o seu animal sozinho.

No domingo, antes de voltarem de viagem, a família que tinha o cachorro estava reunida na sala assistindo TV, quando entra o pastor alemão com o coelho arrebentado entre os dentes, todo sujo de terra e, é claro, morto. Foi um desespero geral. Dizia o homem:

- O vizinho estava certo. E agora, como vamos explicar esta violência?

A primeira providência foi bater duro no cachorro e, cada vez que pensavam como reagiriam os filhos dos vizinhos ao verem o coelho morto, davam mais umas pauladas no cachorro. E, enquanto o pastor latia e lambia os ferimentos no quintal, a família toda se apressou em dar um banho no coelho, secá-lo e colocá-lo bem limpinho na sua casinha. Ficou lindo, até parecia estar dormindo.

Algumas horas depois, ouviram os amigos chegando da praia e logo começaram os gritos das crianças. Em menos de cinco minutos, o dono do coelho veio bater à porta – branco, assustado, parecia que tinha visto um defunto. E, começou outro papo entre os vizinhos:

-         O que foi, que cara é essa?

-         O coelho ... o coelho ...

-         O coelho, o que?

-         Morreu!

-         Como morreu? Ainda hoje parecia tão bem quando esteve aqui no quintal de casa brincando.

-         Morreu na sexta-feira, antes de viajarmos.

-         Na sexta?

-           Foi. Morreu atropelado na sexta. As crianças o enterraram no quintal e, agora, ele voltou pra casinha!

Bem, a história termina aqui. O que aconteceu depois, não importa, mas ficou claro a injustiça que cometeram com o fiel amigo do coelho – o pobre cachorro. Imagine o pastor alemão que, desde sexta-feira, procurava em vão pelo amigo de infância. Após muito farejar, descobre o corpo enterrado e, provavelmente com o coração partido, desenterra o coitadinho do coelho, vai mostrá-lo para os donos e ...

Sempre que lembrarmos desta história, iremos pensar no cachorro como um grande injustiçado ou até mesmo um herói. Por outro lado, aqueles que o surraram, mesmo sem saberem de todos os fatos, tentaram usar da mentira para esconder um possível ato de covardia do animal.

É comum sermos os donos da verdade para tentarmos encobrir as nossas falhas, não? Julgamos antecipadamente os fatos e tiramos conclusões precipitadas que venham a nos favorecer de alguma maneira, concorda? Por isso é que o mundo caminha para rumos tão pecaminosos! Falta justiça, amor e compreensão nos corações humanos. Em decorrência disso, vêm ambição, falta de perdão e vida materialista – fundamentados no consumismo e crenças absurdas!

Antes de julgarmos e batermos em alguns ‘cachorros’ para tirarmos proveito da situação, temos que refletir no exemplo de humildade que o grande injustiçado da humanidade – Jesus Cristo – nos deixou: o lugar onde Ele nasceu foi emprestado, o barco que navegou foi emprestado, o burrico que montou foi emprestado, os pães e peixes que multiplicou foram emprestados, o local onde instituiu a Eucaristia foi emprestada e o túmulo em que O sepultaram também foi emprestado. Só a cruz foi exclusivamente Dele!

 Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá. Engenheiro civil e professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre - MG)


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