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Recordações da infância

12/09/2017

Por Paulo R. Labegalini

As lembranças de fatos que marcaram os primeiros anos podem exercer poderosa influência na formação do nosso caráter, balizando muitas ações por toda a vida. Isso foi o que aconteceu com Norman, cuja história foi publicada na Revista Seleções.

Contou ele que, quando sua esposa ficou gravemente doente, perguntou a si mesmo como poderia arcar com as dificuldades emocionais e cuidar dela. Numa noite, quando suas forças ameaçavam abandoná-lo, veio-lhe à mente um episódio há muito esquecido.

Lembrou-se de quando tinha uns dez anos de idade e sua mãe estava muito mal. Levantou-se no meio da noite para beber água e, ao passar pelo quarto dos pais, observou a luz acesa e entrou. Viu que seu pai estava lá, de roupão, sentado numa cadeira ao lado da cama da mãe, apenas olhando-a.

– O que aconteceu, papai? Por que você não está dormindo? – perguntou Norman.

– Não aconteceu nada, filho. Estou apenas velando por ela.

Norman diz que não sabe explicar como, mas a lembrança daquela cena antiga lhe deu forças para retomar a própria cruz. Contou também como recordou do episódio que marcou seu filho, Jim, de quinze anos de idade. Diz ele que, num dia claro de primavera, quando ambos pintavam a grade da varanda, perguntou ao filho do que ele se lembrava mais claramente. Jim respondeu sem hesitar:

– Da noite em que íamos de carro para algum lugar, somente nós numa estrada escura, e você parou e me ajudou a pegar vaga-lumes.

Norman se recordou que isso acontecera quando Jim tinha apenas cinco anos. Haviam parado para limpar o para-brisa e foram cercados por uma nuvem de insetos. Lembrou-se de que tinha um vidro no porta malas e que ajudou o menino a colocar dentro dele muitos vaga-lumes, para depois destampar o vidro e deixá-los voarem um a um, enquanto ia falando ao filho da misteriosa luz fria que aqueles insetos levam no corpo.

Daquele dia em diante, Norman passou a pedir aos amigos que pensassem na infância e lhe contassem o que lembravam com maior nitidez. Um deles, filho de um diretor de empresa que passava muito tempo longe da família, falou da cena de que se lembrava nitidamente:

– É do dia do piquenique anual do colégio, quando meu pai, normalmente muito distinto, se apresentou em mangas de camisa, sentou-se comigo na grama, comeu o almoço frio e depois deu o chute mais forte no nosso jogo de bola. Descobri, depois, que ele tinha adiado uma viagem de negócios à Europa para ficar comigo.

Como Norman, seu filho e seu amigo, todos temos algo para recordar ou para deixar marcado na alma dos nossos filhos. Os pais podem, por seus atos ou palavras, comunicar emoções e lindas experiências aos filhos. Podemos deixar-lhes lembranças de coragem, e não de medo; de força, e não de fraqueza; de gosto pela oração, e não apenas de interesse pelas coisas do mundo; de caridade, e não de filantropia somente.

É precisamente nessas recordações que se enraízam as reações e os sentimentos que caracterizam toda a atitude da pessoa com relação à vida. E aquilo que para o adulto possa parecer uma palavra ou um ato banal é, para a criança, muitas vezes, o núcleo de uma lembrança importante sobre a qual ela vai se apegar para construir alguma coisa importante.

Assim, se você é pai ou mãe, procure encontrar tempo e entusiasmo extras para executar um projeto pequenino e aparentemente insignificante, mas que será muito significativo para seu filho. Um dia, ele certamente se lembrará que você rezava um terço pela família, ou lia textos bíblicos para buscar caminhos seguros a seguir, ou participava de missas nos finais de semana, ou tinha compromissos com os irmãos necessitados, enfim, ele irá se lembrar que Deus habitava no seu coração.

Eu recordo claramente que meu pai se ajoelhava todos os dias para rezar antes de dormir, lembro-me perfeitamente da sua pontualidade em pagar as contas e, principalmente, dele chorando no quarto do hospital quando me viu tendo alta após muito tempo de internação. De minha mãe, guardo na memória seu compromisso em nos ensinar orações e, também, ela repassando as lições de escola comigo e com minha irmã.

Graças a Deus, coisas ruins eu não tenho muito a contar, porque tive a bênção de ter pais maravilhosos. Hoje, reconheço como isso foi importante na minha formação moral e religiosa, e procuro repassar o mesmo aos meus filhos.

E você, o que se recorda dos seus pais? E com os filhos, ainda dá tempo de influenciar positivamente no futuro deles? Ter coragem para mostrar o poder da oração e doar amor ao próximo, não custa nada, concorda? Quando estamos bem intencionados, Deus sempre ajuda!

Apesar de eu não deixar grandes virtudes de santidade para serem lembradas, espero que meus queridos filhos nunca se esqueçam que entreguei minha vida nas mãos de Nossa Senhora. Ela muito me abençoou a atendeu a todos os meus pedidos. Devo à sua intercessão a paz que desfrutei em família e a fé que guardei no coração. Um dia, quando eles se recordarem disso, espero estar junto da minha querida Mãezinha no Céu.


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