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OS 10 ANOS DO AZEITE BRASILEIRO

09/03/2018

Por Marcelo Scofano

Das terras altas da Mantiqueira em Minas Gerais e dos pampas gaúchos, ao sul do Rio Grande, surgiram as primeiras iniciativas de cultivo de oliveiras no Brasil moderno.

Na década de 50, o Sr. Emidio Ferreira dos Santos, imigrante português, realizava experiências na Fazenda Pomária, em Maria da Fé, sul de Minas Gerais, conforme descreve o livro "Olivicultura no Brasil - Tecnologias de produção", editado pela EPAMIG.  Simultaneamente, na antiga Estação Experimental do Ministério da Agricultura no Rio Grande do Sul, atual EMBRAPA Clima Temperado em Pelotas, o engenheiro agrônomo Dr. Edi Fernandes registrou documentalmente a extração de uma pequena quantidade de azeite, fruto das experiências realizadas na ocasião.   
 
O fato é que desses registros históricos até o início do século XXI, uma longa estrada foi percorrida até chegarmos ao marco nacional realizado pelo NÚCLEO TECNOLÓGICO DE AZEITONA E AZEITE da unidade EPAMIG Sul de Minas na Fazenda Experimental de Maria da Fé.  Ali, em 29 de fevereiro de 2008, com a ajuda de uma família de italianos produtores de azeitonas na Itália, registrou-se a extração do que chamaram o primeiro azeite extra virgem brasileiro.  Um ano depois, a empresa gaúcha Olivas do Sul Agroindústria Ltda, iniciou a primeira comercialização de um azeite extra virgem 100% brasileiro na cidade de Cachoeiras do Sul.  Ambos os acontecimentos fazem deslanchar assim a saga da olivicultura no Brasil. 
 
A produção brasileira multiplicou-se e chegou no ano de 2017 a cerca de 110 toneladas de azeite, compreendendo os estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 
Um aumento significativo em volume, em qualidade e, sobretudo, em extensão territorial cultivada, ressaltando que mais de 95% desse volume provém das áreas em produção nas regiões da Mantiqueira (SP/MG) e do Rio Grande do Sul, pioneiras no país.
 
Embora a quantidade produzida seja pouco representativa em relação à importação brasileira (65 mil toneladas no ano passado), a qualidade do azeite que vem sendo produzido se aprimora a cada ano e várias marcas do país já acumulam prêmios em concursos e participações em salões internacionais.
 
Nos aromas e sabores dos azeites extra virgens encontramos a tradução do território, do clima e a expressão da maestria humana na busca pela perfeição.  Alimento funcional sagrado, extraído da natureza há mais de 8.000 anos, a saga brasileira no mundo moderno replica com sucesso em nosso país tropical uma das mais ricas culturas alimentícias, que carrega consigo uma ancestralidade, cujo valor não pode ser medido.
 
Da Mesopotâmia às terras brasileiras, o que vivemos hoje no mundo do azeite só é comparado em importância ao período épico do Império Romano.  As pesquisas e tecnologias de extração desenvolvidas hoje tem nos permitido estudar a fundo a composição química e diversidade sensorial do azeite, cujos atributos que caracterizam sua qualidade estão relacionados a concentrações de compostos nutricionais, o que nos permite declara-lo como o mais importante e completo alimento funcional que o ser humano pode extrair da natureza.  É isso que precisamos enfatizar!
 
Diante de um panorama com grandes mudanças em curso, um mercado produtivo distorcido e viciado em fraudes e um público consumidor absolutamente leigo, os desafios dos produtores de azeite brasileiro são gigantescos.   Do campo à mesa, das condições climatológicas de cultivo ao preço final, são muitas as etapas a serem pensadas, estudadas e discutidas.  
 
A inserção comercial das inúmeras marcas brasileiras tem ocorrido graças às várias ações educacionais que estão em curso nas grandes cidades, sobretudo nos principais centros consumidores e nas regiões produtoras.  Profissionais estão a se formar dentro e fora do Brasil disseminando a cultura.  Ainda que lentamente, o brasileiro tem recebido a informação de que o melhor azeite do mundo não está na Grécia, Italia, Espanha ou Portugal, mas na proximidade de sua produção com qualidade, traduzida em seus aromas frescos e sabores distintos que o harmonizam perfeitamente com a culinária local.
 
Uma revolução no campo está em curso!  Nos dez anos da histórica extração de Maria da Fé temos a comemorar, mas muito mais a refletir e planejar, afinal o país da soja e das grandes commodities de grãos não se tornará tão facilmente um importante produtor, mas se a graça da vida está em seus desafios, lancem-nos!
 
Viva o Azeite Brasileiro!


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