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Como sair das dívidas - Renegociação 2

09/02/2019

Por Prof. Dr. André Luiz Medeiros. Prof. Dr. Moisés Diniz Vassallo. Prof. Dr. Victor Valério

Educação Financeira

Olá pessoal!

Vocês devem se lembram que em nosso último painel de Educação Financeira tratamos sobre a inadimplência. Na ocasião, comentamos que, em função de vários problemas econômicos e por falta de planejamento dos brasileiros, uma grande parcela da população (mais de 60%) está com problemas para honrar suas contas em dia. Como temos reforçado em nossos encontros, a chave para resolver esse problema é o efetivo planejamento financeiro. Somente após você identificar e eliminar os gastos supérfluos será possível partir para a próxima etapa, que é a renegociação das dívidas.

Também mencionamos que, na etapa de renegociação é preciso saber qual o valor total da dívida (a soma de todos os “papagaios”) e o valor da dívida com cada um dos credores. Faça uma relação decrescente do que se deve, considerando itens como apresentado no quadro de exemplo.

Quadro 1. Exemplo de como organizar as dívidas para serem negociadas com os credores.

CREDOR

VALOR ORIGINAL DA DÍVIDA

MULTA + JUROS COBRADOS

TOTAL DA DÍVIDA COM O CREDOR

CUSTO EFETIVO TOTAL (por mês)

Cartão de Crédito

R$ 500,00

R$ 1.000,00

R$ 1.500,00

18% a.m.

Cheque Especial

R$ 1.000,00

R$ 200,00

R$ 1.200,00

12% a.m.

Prestação da casa

R$ 900,00

R$ 9,00

R$ 909,00

1% a.m.

Loja de Roupas

R$ 300,00

R$ 30,00

R$ 330,00

10% a.m.

Cia de Luz

R$ 200,00

R$ 6,00

R$ 206,00

3% a.m.

Cia de Água e Esgoto

R$ 150,00

R$ 4,50

R$ 154,50

3% a.m.

VALOR TOTAL DA DÍVIDA

R$ 3.050,00

R$ 1.249,50

R$ 4.298,00

 

 

            Geralmente, os credores apresentam apenas o valor total da dívida, já acrescentando o valor da multa e dos juros. Mas, para negociar ou renegociar, é importante que você saiba qual o valor original dívida. Isso só é possível com a “memória de cálculo” que detalha como o credor chegou ao valor da cobrança. Veja que, no exemplo acima, o valor total da dívida, considerando apenas o valor original é de R$ 3.050,00, ao passo que o total com os juros chega a R$ 4.298,00, um acréscimo de mais de 40% em relação ao valor original.

            Ser ágil e não deixar a dívida aumentar é muito importante. Veja que no exemplo apresentado no quadro, quase todas as dívidas consideradas são recorrentes, ou seja, acontecem todos os meses. Assim, se você não tomar uma atitude rápida, sua dívida pode crescer muito rápido. Por isso, negocie com os credores sem medo, pois dever ainda não é crime. Por outro lado, deve-se considerar algumas situações como:

-        Dívida por pensão alimentícia pode te levar para a cadeia (isso pode prejudicar ainda mais a sua situação financeira);

-        A inadimplência relativa a veículos e imóveis pode levar a perda do bem (ou seja, os credores podem recorrer à justiça para tomar o bem que, geralmente é dado em garantia fiduciária);

-        Dever as empresas de energia elétrica, água e esgoto, TV a cabo e telefonia podem levar a suspensão da continuidade dos serviços pela falta de pagamento;

-        Dívidas com cartão de crédito e cheque especial dificilmente chegam ao fim nos tribunais assim, os agentes financeiros acabam fazendo propostas de negociações, retirando os juros abusivos.

Ciente dessas situações, pesquise condições oferecidas por instituições financeiras que possam diminuir o total das dívidas em parcelas que cabem no seu orçamento. É possível “portar a dívida” (transferir) para instituições que ofereçam melhores condições de pagamento (taxas de juros, prazos e benefícios).

Outro ponto importante, é entrar em contato com o credor de forma certa. Muitos credores, principalmente os bancos, já possuem canais específicos para negociação online de dívidas. Esses serviços facilitam o contato e diminui a exposição do devedor, mas por outro lado, as soluções online são padronizadas e baseadas em um perfil médio de cliente, o que não pode ser a melhor proposta para o seu perfil. Assim, sempre que possível entre em contato tente acessar um canal de negociação em que você possa argumentar e contra argumentar com pessoas que podem te ajudar a solucionar o problema. Uma dica importante nesse processo é documentar o processo de negociação, guardando protocolos de atendimento (por exemplo).

Outro elemento fundamental para sair das dívidas é se preparar emocionalmente. Alguns credores podem aproveitar o momento de fragilidade para assediar o devedor a adquirir novos produtos/serviços, ou mesmo usar de meios de cobrança abusivos. Essas duas situações são proibidas pelo Código de Defesa do Consumidor.

Se após tentar todas as formar disponíveis de negociação o devedor não conseguir resolver o problema, é possível pedir ajuda de forma gratuita. O Procon, em parceria com a Federação Brasileira do Bancos (Febraban) e as Defensorias Públicas de vários Estados, auxilia em acordos entre consumidores e instituições financeiras. Outra alternativa viável é participar de feirões e mutirões para renegociar débitos. As condições oferecidas nesses eventos acabam sendo melhores do que a oferecida em acordos individuais.

Por fim, e mais importante, é necessário aprender com os erros cometidos e não se endividar novamente. Por isso, não deixe que o seu nível de dívidas supere, no máximo, 30% da sua renda. Isso pode evitar futuros descontroles financeiros. 

Bem, com esse painel podemos encerrar, pelo menos por enquanto, esse assunto. Ficou interessado? Nos envie suas dúvidas. Quem sabe uma delas se transforme em um painel por aqui. 

Nos encontramos novamente em breve para falarmos mais sobre educação financeira.


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