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A ALTA DO DÓLAR E O IMPACTO NA VIDA DO CONSUMIDOR

05/06/2018

Por Prof. André Medeiros e Prof. Moisés Vassalo

Nos últimos dias muito tem se falado sobre a alta do dólar. No início de 2018 a moeda estava cotada a R$ 3,26 e nos dias mais recentes atingiu o patamar de R$ 3,70. Hoje vamos entender o motivo desta alta e quais os impactos na vida do consumidor.

São diversas as razões para a valorização do dólar. A principal delas é a alta da taxa de juros praticada pelo Banco Central Americano o FED (Federal Reserve System). Desde 2008, quando a economia americana passou por severa crise, as taxas de juros pagas pelo tesouro para quem emprestava dinheiro ao governo americano estavam próximas a zero. Esta baixa taxa de juros tinha como finalidade estimular o consumo e o investimento na economia americana. Desta forma, o investidor não veria vantagem em poupar e aplicaria o seu dinheiro no consumo ou em alguma atividade produtiva. No final de 2015, quando a economia já estava mais aquecida, o governo entrou em uma tendência de elevação das taxas de juros, com o intuito de controlar possíveis pressões inflacionárias e também com objetivo de aumentar a arrecadação de recursos na conta do governo que tem aumentado seus gastos e diminuído os impostos. Desde então o governo aplicou sucessivas elevações na sua taxa de juros. Recentemente, em março de 2018, o FED elevou a taxa de juros para o patamar atual que para empréstimos de mais curto prazo está rendendo até 1,8% ao ano e títulos da dívida de mais longo prazo podem render até 3,2% ao ano.

               Com uma taxa de retorno mais atrativa, muitos investidores optam por emprestar dinheiro para o governo americano que tem solidez nas suas contas e baixíssima probabilidade de calote. Elevações das taxas de juros pagas pelo governo americano atraem investidores de todo o mundo. Enquanto a taxa de juros americana está em processo de elevação, a taxa de juros paga pelo governo brasileiro reduziu de cerca de 12% ao ano em 2008 para o patamar de 6,5% ao ano em 2018. No Brasil, após a crise de 2014-2015, a taxa de juros chegou a 14% ao ano acompanhada de uma inflação elevada de 10,7% em 2015, de acordo com o IPCA-IBGE, junto com um momento de grande incerteza sobre a economia Brasileira.

Com a mudança de governo no final de 2015, surgiu a expectativa de aprovação de medidas de controles nas contas da união o que poderia controlar o crescimento da dívida pública. Além desta expectativa se verificou uma economia em recessão, portanto, desaquecida e com altos índices de ociosidade e desemprego. Também se destaca a redução no preço dos alimentos devido as boas safras e por consequência um período de baixa inflação. Aproveitando este cenário favorável para a redução dos juros pago para o financiamento da dívida públicas o governo brasileiro corretamente aproveitou a oportunidade diminuindo os custos de financiamento da dívida pública e promovendo estímulos ao consumo e investimentos produtivos.

Este movimento de redução dos juros pagos pelo governo brasileiro em direção oposta ao crescimento dos juros pagos pelo governo americano, faz com que muito dinheiro investido no Brasil saia em direção aos Estados Unidos. Com isso há uma grande troca de reais por dólares na saída do dinheiro, tornando assim a oferta da moeda estrangeira dentro do nosso país mais escassa. Esta redução na oferta, por sua vez, acaba se revertendo em uma alta do preço do dólar via equilíbrio de mercado onde quando há uma redução da oferta se mantida a demanda naturalmente os preços sobem.

Entendida a razão da elevação do preço do dólar do Brasil, nos resta entender quais são as implicações sobre a vida do consumidor. Para muitos é compreensível que se o dólar está mais caro o preço de produtos importados devem subir. Por exemplo, se alguém pretende comprar um produto que custa 100 dólares com uma cotação de R$ 3,26 o valor do produto será de R$ 326,00. Agora com a cotação a R$ 3,70 o preço deste produto passa a ser de R$ 370,00. O produto pode ser um bem de consumo final ou o insumo para a produção de algum outro produto. Caso seja utilizado na produção de outro bem dentro do Brasil, os custos subirão e poderão ser repassados ao consumidor do produto final.

Mas o que não é óbvio para uma parcela expressiva da população é porque o preço de alguns produtos que não dependem de insumos importados e são produzidos dentro do Brasil e, às vezes até exportados, também aumentam de preço com a alta do dólar. Este efeito irá ocorrer em maior ou menor magnitude em todo o produto que seja comercializado no mercado internacional. Mesmo que o Brasil seja o exportador o preço de um produto poder subir no mercado interno quando o dólar aumenta.

Para entender como este efeito ocorre vamos tomar como exemplo o mercado internacional de carne de frango. O quilo deste produto é comercializado pelos produtores a cerca de US$ 1,00 (um dólar) no mercado internacional. Ou seja, se um produtor brasileiro vender um quilo do seu frango para um revendedor americano, russo ou de qualquer outra nacionalidade, receberá em média US$ 1,00 (um dólar). Com este dinheiro em mãos, trocará por reais para pagar seus custos e extrair seu lucro. No começo do ano o produtor do frango trocaria US$ 1,00 por R$ 3,26, mas atualmente trocará o mesmo US$ 1,00 por R$ 3,70. Ou seja, para este produtor ficou mais vantajoso exportar o seu frango. Só será interessante para ele vender o produto no mercado interno por um valor mais alto, agora de R$ 3,70. Mesmo o Brasil produzindo todo o frango consumido internamente e ainda exportando o produto, caso o dólar suba de valor em relação ao real o preço do frango, no mercado brasileiro, também irá subir. Afinal, o valor recebido no mercado internacional quando convertido em reais será maior, só justificando assim a venda no mercado interno a um preço também maior em reais. Eventualmente o produtor brasileiro pode até ofertar o produto no mercado internacional a um preço menor em dólares para aumentar suas vendas. O preço final de equilíbrio em reais se dará entre o valor antes da valorização do dólar e após a valorização do dólar a depender de cada mercado, mas nunca a um preço menor.

Esse painel de Educação Financeira termina por aqui. Nos vemos em breve discutindo temas da economia que afetam a sua vida.

 Até lá!

 

Prof. Dr. Moisés Diniz Vassallo

Prof. Dr. André Luiz Medeiros

DENARIUS – Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento em Educação Financeira

Instituto de Engenharia de Produção e Gestão (IEPG)

Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI).


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