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Porque profissionais qualificados não conseguem emprego?

19/07/2010

Por Michele Dias

Enquanto vários setores afirmam não haver mão-de-obra qualificada, desempregados especializados não encontram oportunidades de trabalho.

Segundo pesquisa realizada pela Fundação Dom Cabral e apresentada pelo prof. Paulo Resende, as empresas estão retomando seus investimentos e aumentando a sua capacidade de produção, no entanto, no momento em que  vão ao mercado para suprir a necessidade de pessoal está havendo uma grande dificuldade. Essa falta de mão-de-obra foi observada em todos os níveis de atuação, desde cargos mais altos até os técnicos. As regiões mais afetadas por este “apagão” de mão-de-obra, segundo Resende, são o Nordeste e o Centro-oeste, devido ao crescimento mais acelerado destas regiões em relação as demais.

Leyla Nascimento, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos- ABRH, diz que a preocupação do mercado, atualmente é de atrair os melhores profissionais e mantê-los, ela salienta que no Brasil, há uma cultura de exigir experiência dos candidatos, isso dificulta muito o ingresso do recém formado no mercado de trabalho.

Um dos caminhos para o jovem iniciar sua carreira é através dos programas de trainee, pois estes programas oferecem a oportunidade do novo profissional mostrar o seu talento e até mesmo continuar na empresa.

Ainda antes da conclusão dos estudos de graduação, há uma ferramenta muito importante que o estudante dispõe, embora nem sempre a aproveite da maneira correta, que é o estágio. Muitos alunos alcançam a efetivação em grandes empresas, através dos programas de estágio, por isso, é fundamental que o aluno busque uma boa empresa para estagiar. Considera-se uma boa empresa, aquela que lhe oferecerá oportunidades de aprendizado, rede de relacionamento e, é claro chance de efetivação.

Outra observação importante  feita por Leyla, é que as empresas do nosso país investem muito pouco em inovação e pesquisa científica, elas preferem importar tecnologia, deste modo, restringe-se as oportunidades para os pesquisadores e cientistas.

Se for observado o problema central deste artigo, pode-se citar que no Brasil há um desalinhamento entre a demanda de emprego e a oferta de profissionais. Não há uma plataforma nacional com essas informações. Por exemplo, um profissional altamente qualificado em Itajubá não sabe que há a oferta de uma vaga que necessita destas habilidades no nordeste e vice-versa.

O profissional atual tem que estar preparado para quebrar as barreiras geográficas e estar disponível tanto para viagens freqüentes quanto para uma mudança de localidade.

Itajubá é uma cidade universitária, com alto nível de escolaridade, o ensino superior está mais acessível, portanto em nossa região há uma grande disponibilidade de mão-de-obra qualificada, devido ao grande número de formandos nas mais diversas áreas que saem anualmente das nossas faculdades. Nossas empresas não conseguem absorver todos esses profissionais, por isso é necessário se deslocar para uma região que haja demanda de emprego. Quando este deslocamento não acontece, nos deparamos frente a duas situações:

1 – Desemprego, onde realmente o profissional fica fora do mercado e não consegue uma colocação ou;

2- Sub-emprego, neste caso o profissional é absorvido pelo mercado, porém para exercer uma função muito abaixo do seu nível de escolaridade e com remuneração inferior a merecida.

Aos estudantes, fica claro a necessidade de fazer um planejamento para a entrada no mercado de trabalho.

Não é possível restringir, em apenas um artigo as exigências do mercado, porém pode-se afirmar que além das habilidades técnicas, que são adquiridas através do estudo e da experiência; e das competências comportamentais, proveniente de perfil e desenvolvimento pessoal, agora é necessário também ter mobilidade regional.

De outro lado, tenho observado em algumas das palestras que ministro, os participantes dizerem que a grande a dificuldade é que as empresas buscam profissionais completos e preparados, mas que não querem investir neste profissional. Ou seja, os recém-formados não conseguem emprego porque não têm experiência, as pessoas que possuem experiência não são contratadas porque já passaram do limite de idade estipulado pela empresa, candidatos sem estudo se deparam com a falta de capacitação, há ainda os que têm um bom nível de escolaridade e escutam que são muito qualificados para a função. Mediante estas alegações, pressupõe-se que as empresas estipulam um perfil desejado para a vaga totalmente engessado que acabam por excluir profissionais que poderiam contribuir de maneira positiva para a organização.

Para a ABRH essa cultura de exclusão realmente existe em algumas empresas brasileiras e a quebra deste paradigma tem sido um dos trabalhos da associação.

Na sua opinião, há realmente falta de mão-de-obra, ou são as empresas que estão tão exigentes que chegam a discriminação de profissionais?

Fonte: Facesm

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Comentários

Por José Henrique Alencar em 19/07/10 09:39

Na minha opinião, o desalinhamento geográfico entre a vaga e o candidato, acompanhado da desinformação, são fatores que dificultam o ingresso deste profissionais qualificados. Porém, não podemos esquecer a parcela de responsabilidade das empresas, que realmente oferecem um perfil totalmente engessado. Michele, parabéns pelo artigo!!! Esse assunto deve ser colocado em pauta para uma boa reflexão. Fiz questão de participar. Abrs. J.Henrique.

Por Claudia Andrade em 19/07/10 10:43

Olá Michele, primeiramente parabéns pelo artigo. Faço parte desse grupo de recém formados que encontram dificuldades para entrar na mercado de trabalho. Passei por diversas seleções, desde de estágios até trainee(que ao meu ver,utiliza de metodos de avaliação que não possibita ao candidato, demostrar todo seu potencial) e acredito que as empresas deveriam analisar melhor a realidade do jovem brasileiro, elas querem exigir caracteristicas encontradas em estudantes de países de primeiro mundo, eu particularme já vi vagas sendo preenchidas por estudantes gringos, devido o nivel de exigencia das empresas. Outra situação que gostaria de citar é a maneira desgastante e dispensáveis que muitas empresas itajubenses realizam suas seleções. São feitas diversos testes e provas e muitas vezes nem se aplicam as atividades e exigencias da vaga. Outro fator importante que você citou Michele, foi a falta de valorização do conheciemnto e desenvolvimento da área de P&D, como as empresas querem contratar prossifionais qualificados, com experiência (se eles não nos dão oportunidades ara começar) e com capacidade de desenvolver produtos inovadores e pesquisas diferenciadas ( se eles não reconhecem esse profissional). Na minha opinião estamos vivendo um impasse, as empresas tem dificuldades para contratar e os recém formados não sabem mais o que fazer para atender tantas exigências. O mercado de trabalho vive uma crise de identidade, os recém formados são despreparados demais e os experientes são vistos como desatualizados.

Por Cristiano Vieira em 19/07/10 11:35

Primeiramente parabéns pelo artigo pois ele trata um problema muito sério e que atinge uma grande fatia dos profissionais, principalmente os recém-formados. Sou do ramo da informática e é muito comum para os profissionais dessa área que possuam formação superior (graduação ou até mesmo pós graduação) competirem vagas no mercado de trabalho com profissionais sem formação acadêmica e com conhecimento restrito. Um exemplo dessa situação são empresas de desenvolvimento de portais web, que selecionam profissionais que restringe seus conhecimentos a utilização de internet e criação páginas, formação que se pode adquirir por meio de um curso de 40 horas com baixo investimento. As empresas na maioria da vezes buscam mão-de-obra mais barata e profissionais em que ela possa moldar para aquilo que realmente precisa. A cada ano que passa os cursos profissionalizantes que demandam pequeno tempo de duração e menores custos projetam um número cada vez maior de profissionais ao mercado de trabalho para concorrerem as vagas em aberto com os formados em nível superior. Abraços.

Por Fabiana em 19/07/10 14:46

Parabéns Michele!!! Gostei muito do artigo!! Você conseguiu retratar bem o que os recém formados enfrentam! Muitos fazem estágio ao longo da graduação, mas algumas empresas não tratam estágio como experiência de mercado!! A maioria das empresas quer contratar um funcionário pronto, ao invés de investir nesse potencial! Esses chamados "perfis engessados" atrapalham o desenvolvimento das empresas! Muita gente com grande potencial não consegue emprego por ter uma visão diferente do que o empregador esperava! Além da desvalorização de algumas áreas de trabalho!

Por Felipe Ribeiro da Silva em 23/07/10 17:03

Tenho observado que as mudanças no mercado tem ocorrido de maneira muito acelerada, no entanto, os profissionais tem se capacitado, tentando acompanhar este crescimento. O que acontece é que os empregadores muitas vezes não enxergam que cada profissional tem seu particular e talento a ser desenvolvido, promovendo assim, um desajuste entre o ideal do mercado ou aquilo que ele espera e a motivação que o profissional tem. Nesse "xadrez" as jogadas acabam sendo demoradas para um lado (profissional) e arriscadas para outro (empresa, empregador). Em suma, acredito que o mercado tem visto os talentos com olhos de "medusa", o que os impede de alcaçarem sucesso profissional mutuo.

Por jorje em 26/08/10 15:52

No meu ponto de vista,o crescimento populacional a migração de pessoas de cidades pobres ,ex Nordestinos e Pessoas do interior é um fator que provavelmente esteja colaborando para o aumento de pessoas desempregadas, quanto mais pessoas mais dificil se torna a procura por um emprego. imagine você concorrendo com quatro bilhoes e trilhoes de pessoas de outros estados alem de São Paulo. existe pouca vaga pra muita gente . O governo investe pouco ,rouba o dinheiro dos impostos que deveria ser destinado a pessoas de estados pobres resultado aumenta o numero de desempregados nesses estados e elas migram para estados ricos como São Paulo,Rio de Janeiro e etc .

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